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(Ela) tem Caprichos Matinais XCV

Instala-se devagarinho. É uma dormência que entorpece os membros tornando-os moles e desarticulados, é um doce refugiar no afago de um abraço. Os olhos trémulos, pestanejando solenemente como que pedindo licença para se manterem fechados, incomodados pela claridade. Aninham-se os corpos como que rogando sossego mas incandescendo de vontade suspeita. Encaixam, colando-se, deixando pouco espaço entre eles. Devagar, embora a mente queira permanecer inerte, o corpo pede desassossego num paulatino aumentar do querer. A preguiça, até agora impeditiva, leva-os a apenas se mexerem o suficiente para dar ao corpo o sustento que precisam pois não conseguem encostar-se um ao outro e não se terem. Acham física e temporalmente impossível não se amarem sempre que podem. E em gestos lânguidos e lentos, ondulam os corpos apenas o suficiente para sucumbirem no mais sensível e delicioso orgasmo. Ajeitam-se e enjeitam-se, roçam-se e enrolam-se, suspiram e gemem imbuídos de mimo, de doçura, de tímidos sorrisos. Permanecem unidos, mesmo após o suave espasmo, saboreando o abraço reconfortante, a respiração atribulada na nuca, o escorrer dos resquícios da explosão controlada que se ofereceram. Permanecem.

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