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Hurt me like you mean it

Diz-se dos loucos que vivem num mundo só deles, que se alheiam da realidade, que se perdem na imaginação, que constroem cenários onde se movem sem correspondência com o lugar onde vivem. Diz-se dos loucos que são sonhadores. Se é loucura sonhar, se é loucura imaginar, estaria condenada ao colete de forças, ao freio da mente. Não lhe importava. Movia-se na edificação de imagens relativizadas que almejava subjectivar. Sentia a compulsão de querer mais assim. Impulsionava-a o desejo de sentir na pele o roçar de dois corpos, três se contasse com ela própria. Queria vê-la em êxtase entregue ao prazer de ser tocada por mãos rudes e delicadas em simultâneo. De ser beijada com a raiva dos amantes, com a paixão dos sedentos, com o desejo dos corpos inebriados de prazer. Imaginava-se vezes sem conta a dedicar-se em pleno, altruísta mas egoísta, dando na expectativa de receber. Sentia na ponta da língua, quase real, o sabor dela, o sabor dele, os sabores deles misturados. Bebia-os com a vontade sôfrega de quem se entrega, movia-se ao ritmo e ao som dos gemeres que lhe ecoavam das gargantas, inebriava-se dos aromas simbióticos que emanavam das peles tocadas em impressões digitais vincadas, em gestos de luxúria, em orgasmos multiplicados, revezados, líquidos e categóricos. Sugeriram lobotomia, acordaram em drogas, administraram placebo. Pensaram que assim lhe acalmariam as entranhas, a devolveriam à razão, lhe findariam as compulsões. Ela sorria. Não haveria quem lhe roubasse o fogo, estava entranhado, agarrado como alcatrão.

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